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“A conta que não fecha” e O câmbio no Brasil continua afetando negativamente os produtores de café.
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O câmbio no Brasil continua afetando negativamente os produtores de café. Nem mesmo a crise política foi capaz de corrigir as cotações. Ao que parece, enquanto os juros permanecerem nos patamares exorbitantes que estão hoje, investidores estrangeiros continuarão a aportar divisas para aproveitar nossas altas taxas. Isso, somado aos resultados obtidos até agora em nossa balança comercial, é o que explica o atual patamar das cotações do dólar.
Enquanto isso, os cafeicultores amargam os prejuízos de uma conta que não fecha: Insumos comprados ao dólar de R$3,00 – R$3,30, e café vendido ao câmbio de R$2,30 - R$2,40, ou seja, uma defasagem de 30% entre suas receitas e despesas. Some-se a isso, o aumento que vem ocorrendo nos preços dos fertilizantes, causados pelo aumento das cotações do petróleo no mercado internacional.
Ao mesmo tempo, o “guarda chuva” para nossos concorrentes continua aberto. Com taxas cambiais mais ajustadas que as nossas, da Colômbia até a Ásia, produtores concorrentes comemoram o câmbio brasileiro.
O Deputado Silas Brasileiro manifestou seu ponto de vista sobre esta questão.“Basta fazermos a conta. Com 30% de defasagem, se multiplicarmos este percentual aos preços recebidos hoje no Brasil, teremos uma idéia do que representa para os nossos concorrentes. Seria como estarmos recebendo algo em torno de R$330,00. Este é um grande incentivo que nossa política econômica vem proporcionando para os outros países produtores”, afirmou Silas.
“O momento deve ser de cautela, com os produtores fazendo o planejamento de suas atividades, focando na produtividade e na qualidade. Seria inconseqüente pensar em aumento de plantio no momento em que estamos vivendo. A crise ainda não acabou. Foi atenuada pela melhora verificada nos preços, e pelos alongamentos conseguidos no perfil do endividamento dos produtores. Os bancos também estão com maior disposição de aplicar recursos para o setor. Porém os passivos ainda permanecem. O reequilíbrio das contas dos cafeicultores e sua capitalização para enfrentar novas crises devem vir à frente de novos investimentos” finalizou Silas Brasileiro.
Brasília, 03 de agosto de 2005.
ESCRITÓRIO DE APOIO AO AGRONEGÓCIO CAFÉ INFORMATIVO Nº 38
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Nordeste poderá ser solução do Brasil
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Valor Econômioco Colunista Carlos Lessa - Penso o Nordeste não como região de expulsão, ou região-problema. Em futuro próximo, poderá ser região-solução, repetindo a contribuição que o Centro-Oeste deu ao país desde a fundação de Brasília. A nova capital permitiu a pinça que ocupou em 20 anos o eixo Campo Grande-Acre e Campo Grande-Belém. Criou uma rede de cidades [20 têm 100 mil habitantes ou mais]. Engendrou a economia de grãos, fibras e carne, que 'segurou', com seu crescimento, o medíocre desempenho brasileiro das últimas duas décadas. O Nordeste poderá fazer o mesmo nos próximos anos.
A região já deixou de ser rural. Tem algumas metrópoles, um punhado de cidades médias e uma legião de vilas e grotões. A estratégia de desenvolvimento tem que pensar a conectividade desta rede e planejá-la em uma visão integrada. É fundamental o apoio às micro, pequenas e médias empresas [MPMEs] em seus arranjos produtivos locais [APLs] e cadeias produtivas. Alguns fenômenos já existentes são convincentes das potencialidades dessas novas formas de cooperação entre produtores. Em São Bento [PB] há um APL vocacionado para a produção de redes de dormir. Em Toritama, Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru, 12 mil empresas - apenas 9% formais - faturam cerca de US$ 1 bilhão ao ano. Em 2005 deverão investir R$ 500 milhões. Calçados no Ceará formam um pólo. Núcleos de confecções pontilham as cidades da região. A economia do camarão tende a se converter num sistema integrado.
Em múltiplos pontos de sua rede urbana, a partir de suas universidades, surgirá um sistema de produção de tecnologia de ponta. Veja-se o sucesso do Porto Digital de Recife. Nele localiza-se um arranjo cheio de futuro, onde a informática dá sustentação a mais de cem empresas de criação de sistemas.
O turismo deve ser pensado em conjunto, por cidade ou micro-região; a conectividade das cidades amplia sua massa crítica de potencialidade. O turismo de sol e mar pode combinar-se com visita às pinturas rupestres da Serra da Capivara. O turista pode divertir-se no Carnaval de Salvador, no frevo de Olinda e na Festa de São João de Campina Grande. Lençóis Maranhenses pode ser o ponto final de um roteiro que começa no sul da Bahia.
No Nordeste, a petroquímica é sólida. Estão anunciadas fábricas de PTA e PET, e em disputa a localização de uma nova fábrica de poliéster. A Oxiteno irá localizar outra planta em Camaçari. A combinação de fibras naturais e químicas reforça a vocação têxtil regional. A indústria pesada deve prosseguir sua expansão: uma nova refinaria, associando a Petrobras à Pedevesa, produzirá mais 200 mil barris. A siderurgia no Maranhão e Ceará; a mineração de fosfato, urânio, gesso, cromo e sal são relevantes.
Na Bahia, entre Mansidão e Cocos, a soja cresce 12% ao ano: foram produzidos, na safra de 2004/5, 4,8 milhões de toneladas de grãos, café e frutas. No Piauí e Maranhão, a produção de soja cresce 40% ao ano, apesar das deficiências logísticas. O dinamismo do arco atraiu russos e argentinos para plantar algodão. Um grupo francês projeta prensar óleos vegetais. A China está ávida pela soja da região. É sintomática a competição pela licença de instalação de um terminal de grãos para 12 milhões de toneladas, em Itaqui.
A pujança do Nordeste depende de projetos estruturantes que articulem ferrovias com os três portos atlânticos profundos [Itaqui, Pecem, e Suape]. A Transnordestina, como projeto - a partir de antigas linhas pouco operacionais - está equacionada. É altamente rentável a partir de 8 milhões de toneladas de soja. Ao longo de três anos exigirá investimentos de R$ 4,5 bilhões [10% capital privado e 90% apoio do BNDES e do FDNE]. A ferrovia Norte-Sul é um investimento de US$ 1,8 bilhões, reservado desde 1997 a um 'mercurial' PPP. Na ocasião, a coreana Hyundai manifestou interesse, e falou-se de um duto de fibras óticas ao longo do traçado. Com recursos orçamentários, foi construído o trecho de Marabá [PA] a Estreito [MA]. Falta ir até Senador Canedo [GO]. A Norte-Sul, com novos 665 km, reduzirá o frete em 40 %.
A região dispõe da calha do São Francisco, cujo potencial hidrelétrico está esgotado. Seu potencial logístico exige recuperar a navegabilidade do médio São Francisco. É projeto-chave estruturante a transposição de águas para as bacias intermitentes. Sugerido no II Império, anunciado pelo general Figueiredo e recentemente por FHC, exigirá menos de R$ 5 bilhões em três anos.
O calcanhar de Aquiles do Nordeste está no suprimento de águas para a rede urbana, novas indústrias e, obviamente, para a agricultura. Aqui reside a principal justificativa do projeto de integração das bacias ao Rio São Francisco. Deverão ser recursos orçamentários. Terá início com a engenharia militar construindo 8 km dos canais de alimentação, a partir de Floresta e Cabrobó [PE]. A excelência do Instituto Militar de Engenharia garante a qualidade. Depois, serão licitados 14 lotes.
Em conjunto, o eixo Norte [402 km] utilizará as calhas dos rios Brígida, Apodi, Jaguaribe, Salgado, Peixe, Piranhas-Açu. Serão 26 pequenos e grandes açudes interligados. No eixo Leste, um canal de 220 km desembocará na calha do Paraíba, conectando dois açudes grandes e nove pequenos. A transposição de 1% de águas do Velho Chico, variando até 4,5 % [nas cheias de Sobradinho] fornecerá boa água a 10 milhões de famílias e resolver questões de abastecimento de cidades como Fortaleza, Caruaru, Mossoró e Campina Grande.
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