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O novo ciclo do café
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As riquezas vividas pelo Brasil no conhecido ciclo do café podem estar de volta graças à biotecnologia. Com a liberação do cultivo de organismos geneticamente modificados [OGMs] no País, o fruto dessa planta, que já respondeu por 65% das exportações brasileiras, desponta nas pesquisas nacionais e cria oportunidade de restabelecer sua supremacia histórica. O Instituto Agronômico do Paraná [Iapar] está testando o café GM em casas de vegetação, visando uniformizar a maturação do fruto. A expectativa é que o material seja testado e aprovado em condições de campo. Além disso, a Embrapa Café, juntamente com o IAC [Instituto Agronômico de Campinas], estuda a variedade de café resistente a pragas e a doenças.
A tendência em buscar estes resultados não se limita ao Brasil. Esse filão de mercado já está sendo bem analisado em países mais distantes. O Japão já produz um café com menor teor de cafeína e a França desenvolve uma variedade resistente ao bicho-mineiro, ambos em laboratório. Os Estados Unidos também estudam o café geneticamente modificado. Ou seja, parece que o Brasil não é o único País a acreditar neste caminho próspero.
'O desenvolvimento de métodos biotecnológicos para o café representa um grande avanço no Brasil. Essa planta tem uma parcela importante na economia nacional e pode colaborar ainda mais a partir desses estudos', afirma Miriam Perez Maluf, pesquisadora da Embrapa Café.
Mesmo com essa expectativa, não se espera que este produto chegue à mesa dos brasileiros em menos de uma década. Como o café é uma planta com crescimento lento, o tempo de pesquisa acaba sendo maior. Resta agora torcer para que estes estudos e pesquisas colaborem com a volta do ciclo do café.
Sobre o CIB
O CIB - Conselho de Informações Sobre Biotecnologia - é uma organização não-governamental, cujo objetivo básico é divulgar informações técnico-científicas sobre biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema.
Para estabelecer-se como fonte segura de informações para jornalistas, pesquisadores, empresas e instituições interessadas em biotecnologia, o CIB dispõe de um grupo de conselheiros formado por 70 especialistas - cientistas e profissionais liberais, em sua maioria - ligados a instituições que estudam as diferentes áreas dessa ciência e têm como missão esclarecer para o público em geral as principais questões relacionadas ao tema.
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Os calcários são todos iguais?
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Estudos mostram que os calcários apresentam diferenças de natureza mineralógica de acordo com sua característica cristalina: há corretivos mais “duros” e outros mais “moles” -Contou-me recentemente o renomado colega Bernardo van Raij, do Instituto Agronômico do Campinas, que recebera consulta de um produtor indagando sobre reatividade dos calcários. Passou essa informação para mim porque, nos anos 80, havíamos realizado na Manah um estudo inédito sobre a solubilidade desses corretivos em ácido cítrico a 2%, teste padrão tradicional para avaliar a reatividade dos fosfatos naturais.
A Manah se interessou pelo assunto tendo em vista os comentários de muitos clientes ao afirmar que, na recuperação dos cerrados, tinham que plantar arroz por um ou dois anos até que o solo ficasse corrigido, pois o efeito dos corretivos era sempre lento. Outros produtores informavam que, para abreviar a correção, faziam calagens sucessivas, correndo o risco de, a seguir, sofrerem danos por deficiência de manganês e outros micro-nutrientes, devido ao excesso de cálcio, quando as altas dosagens começassem a fazer efeito.
Solicitamos então a nossos representantes, supervisores e gerentes regionais que nos enviassem amostras oriundas das principais jazidas de calcita e dolomita de todo o país, as quais foram encaminhadas ao laboratório da nossa fábrica em Cubatão, onde os materiais de mais de 50 origens foram submetidos às seguintes análises:
1] determinação da granulometria [moagem] da amostra comercial;
2] determinação dos teores de cálcio e magnésio totais;
3] extração do cálcio e do magnésio por ácido cítrico a 2% em três situações:
a] no produto comercial; b] no produto moído a peneira <100; c] no produto calcinado a 1.000 graus C.
Optamos na ocasião pela extração cítrica porque o método fazia parte da rotina do laboratório. Poderiam ter sido usados, alternativamente, outros ácidos orgânicos diluídos como o ácido fórmico, acético ou outro. Os resultados mostraram claramente que os calcários apresentam diferenças de natureza mineralógica de acordo com sua característica cristalina: há corretivos mais “duros” e outros mais “moles”, a julgar pela extração cítrica.
O estudo revelou que, naquela época, a moagem em geral era bastante grosseira, em boa parte superior à peneira 100, alguns com certa porcentagem acima da peneira 50. As análises químicas mostraram que:
:: os calcários calcíticos e magnesianos apresentam maior reatividade quando finamente moídos, mas a extração cítrica total se dá somente com a calcinação; :: os dolomíticos mantêm-se “duros” ainda que bem moídos, requerendo calcinação para se tornarem mais reativos e solúveis; :: a calcinação pode ser feita a 700 graus C.
O estudo mostra que as especificações baseadas no PRNT [equivalência a CaCO3] são insuficientes quanto à reatividade. Houve caso de calcário dolomítico cujos PRNT na solubilidade cítrica foram de 13% no produto comercial, 17% após moagem e 180% quando calcinado, embora a garantia fosse de 91%. Outro, calcítico de PRNT 50%, mostrou os seguintes índices em ácido cítrico: 38% no produto tal qual, 67% quando bem moído e 100% após calcinação. Os calcários extra finos, conhecidos por “filer”, não foram testados, mas, ao que tudo indica, apresentam boa reatividade devido à extrema finura.
Os produtores devem dar atenção especial à reatividade dos calcários quando desejam um efeito rápido, como no caso da soja ou milho de primeiro ano nos cerrados ou campos nativos recém abertos. O preço deve ser analisado em função tanto dos teores totais, como também da reatividade, podendo haver grande economia de frete pela alta concentração dos produtos calcinados, por conterem óxidos de maior poder neutralizante que os carbonatos, que constituem os calcários moídos.
Quando produtos de alta reatividade não são disponíveis, há sempre o recurso ao gesso que contem cálcio solúvel além do enxofre, podendo o magnésio fazer parte das formulações. Cumpre, outrossim, aos nossos órgãos de pesquisa completar e ampliar esse estudo pioneiro dos corretivos calcários, iniciado em 1988 por nossa iniciativa, cujos resultados são de especial interesse para uma agricultura sustentável.
P.S. - Os resultados das análises foram encaminhados à Associação do Plantio Direto no Cerrado - APDC [www.apdc.com.br], para atender consultas dos interessados.
Cordialmente,
Fernando Penteado Cardoso, Presidente
Visite www.agrisus.org.br - Venha nos conhecer'
Nota: A Circular Agrisus é enviada a instituições de ensino e pesquisa ligadas a ciências agrárias e tem por objetivo fortalecer o intercâmbio e o interesse por novas pesquisas aproximando profissionais e estudantes do setor ao universo da agricultura sustentável.
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Variedade de café arábica para obter entre 40% e 45% de grão cereja
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Antonio Fernando Guerra, também pesquisador, conta outra novidade do cerrado. Não se trata de nova variedade de café, mas de algo mais sui generis. A pesquisa identificou uma forma de enganar o cafezal com o intuito de, na época da colheita, obter o maior volume possível de grão cereja. Seja no cerrado, seja em outros pontos do Brasil, a retirada do grão vermelho dos pés de café arábica - do qual se obtém a chamada bebida fina - varia entre 40% e 45% do total. O restante, grãos verdes, oferta a bebida dura, de baixo valor no mercado.
A estratégia da Embrapa é usar a característica regional [a estiagem por seis meses] para uniformizar o amadurecimento dos frutos. 'Isso é inviável em regiões chuvosas, por exemplo', explica Guerra. A empresa percebeu que ao suspender a oferta de água, a planta aciona um mecanismo de defesa: retarda a florada mais avançada e acelera a que está mais atrasada. Quando se igualam, a irrigação é retomada. 'O resultado mostrou que o rendimento de grãos cereja pode atingir 85% do total da produção', diz Guerra.
A missão agora é convencer os produtores de que água em excesso pode ser prejudicial. Os 40% da produção brasileira de café, hoje no cerrado, podem evoluir. E, o melhor, obter preços mais elevados. 'Em três ou quatro anos, ninguém plantará café com irrigação no ano interior', decreta.
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