|
|
Produtores de orgânicos querem ganhar mercado externo
|
|
|
Folha de Londrina São Paulo - O mercado externo é o grande alvo dos produtores de orgânicos. Do total de US$ 200 milhões movimentados pelo setor no ano passado, U$ 140 milhões foram destinados à exportação, segundo levantamento da Associação Brasileira de Produtores e Processadores de Produtos Orgânicos [BrasilBio].
A Europa, principalmente a Alemanha, seguida pelos Estados Unidos e Japão são os maiores compradores do mundo. Na lista de exportados estão café, cacau, açúcar, suco de laranja, frutas secas e tropicais, cereais e produtos de pecuária. ''De tudo que é consumido de verduras, frutas e legumes na Alemanha, cerca de 40% são orgânicos'', diz Sandra Caires, que responde pelas compras do setor do Grupo Pão de Açúcar.
No Brasil, segundo dados do Ministério da Agricultura, existem cerca de 19 mil produtores de orgânicos e o número de certificações expedidas por empresas especializadas - que fiscalizam quem comercializa orgânicos - vem crescendo. Segundo o IBD Instituto Biodinâmico, maior certificador do País, o número de projetos certificados saltou de 94 em 2000 para 404 este ano.
A Native, certificada desde 1997 para vender açúcar orgânico, exporta 22 mil toneladas da sua produção de 25 mil toneladas. A marca é do Grupo Balbo, que tem as Usinas de São Francisco e Santo Antonio e produz 200 mil toneladas de açúcar por ano, sendo só 3 mil de orgânico para o mercado interno.
Além do açúcar a Native já vende café, sucos e achocolatados. ''O mercado cresce e também o número de oportunistas que imaginam que vão lucrar muito porque os produtos têm preço mais alto do que o convencional'', diz o diretor da empresa, Leontino Balbo Junior.
Mas, diz ele, há vários obstáculos para os produtores: dos conhecidos problemas para obtenção de empréstimos às dificuldades de competir com o produto convencional.
Há três anos no mercado, a Ecoville, que industrializa café, ainda não conseguiu entrar no azul. O proprietário da marca, Fernando Marx, observa que a concorrência é grande, principalmente com marcas tradicionais que entram no segmento. Outra queixa é que as redes de varejo querem impor preços. A saída tem sido vender para os supermercados médios no interior.
Vera Dantas Agência Estado
|
|
|
|
Produção de orgânicos cresce 25% no Paraná
|
|
|
Folha de Londrina - O Paraná deve colher 25% a mais de produtos orgânicos nesta safra. A previsão é atingir entre 80 mil e 90 mil toneladas. O Estado tem alguns focos de produção orgânica. Por exemplo, na Região Metropolitana de Curitiba, o cultivo maior é de hortaliças; no litoral, o destaque é para a produção de bananas; na Região Norte, há hortaliças, frutas e café; no Norte Pioneiro, há açúcar mascavo; e, no Sudoeste, há a produção de soja orgânica.
No entanto, a oleaginosa não é destinada ao consumo interno. Cerca de 98% do total da produção - de 9.295 toneladas - é exportada para a Europa, Estados Unidos e Ásia. ''A produção da soja orgânica em termos econômicos é muito rentável. Os contratos são fechados antecipadamente e já estipulam um valor 50% maior do que o de mercado'', explica Iniberto Hamerschimidt, coordenador estadual de Agricultura Orgânica da Emater/PR. Enquanto a cotação da saca de soja convencional está em R$ 30, a orgânica é comercializada por R$ 45.
A produção de açúcar mascavo também é destinada ao mercado externo. O produto paranaense vai para a Alemanha, Estados Unidos e Japão. Comparando com o açúcar industrializado comum, o seu preço chega a ser entre 60% e 70% maior. ''No Paraná, a característica do cultivo de orgânicos é de pequenas propriedades, com média de três hectares, que utilizam a mão-de-obra familiar'', comenta Hamerschimidt.
Frutas - O Paraná produz 7,7 mil toneladas de frutas. Deste total, 4,5 mil toneladas é de banana e o restante está dividido entre acerola, uva, frutas de caroço, goiaba, maracujá doce e caqui. Somente as frutas in natura é que são consumidas pelo mercado estadual. A banana, por exemplo, é industrializada e transformada na variedade ''passa'' é exportada para Suíça, Estados Unidos e Alemanha. O seu preço chega a ser o dobro da fruta in natura. Já as demais variedades, que ficam no mercado estadual, têm preço 50% maior do que as convencionais.
Somente a produção de hortaliças é totalmente consumida no Paraná. Folhosas como alface, couve e repolho e as de raiz como cenoura, beterraba, rabanete e batata e frutos como tomate, pepino, abobrinha e chuchu chegam a custar até 30% mais. O Paraná é o segundo maior Estado produtor de orgânicos, perdendo apenas para São Paulo. [F.M.]
|
|
|
|
Alta de preço do café convencional afeta avanço do orgânico
|
|
|
Valor Econômico Mônica Scaramuzzo De São Paulo - Mas produtores tradicionais resistem, de olho na crescente demanda no Japão, EUA e países da Europa - Considerado um produto premium, o café orgânico tornou-se há alguns anos uma alternativa atraente numa época em que boa parte dos cafeicultores tradicionais enfrentava uma das piores crises de preços da história. Mas a recuperação das cotações internacionais da commodity, observada nos últimos meses no mercado internacional, estreitou os prêmios pagos para o produto orgânico e provocou uma evasão de parte dos produtores ainda pouco comprometidos com a 'filosofia' do cultivo orgânico, que abomina o uso de insumos químicos nas lavouras.
'Os preços pagos pelo café orgânico sempre estiveram em um patamar razoável', explica o produtor Ivan Caixeta, um dos pioneiros em café orgânico no país e também um dos fundadores da Associação de Cafeicultura Orgânica do Brasil [Acob]. Caixeta diz que a diferença de preços entre os cafés orgânicos e os grãos cultivados em lavouras convencionais chegou a US$ 100 nos últimos anos. 'Com a crise do café, uma saca do grão convencional chegou a ser negociada a US$ 60, enquanto a saca de café orgânico alcançava cotações entre US$ 160 a US$ 180', afirma Caixeta. Atualmente, com a recuperação dos preços internacionais, que acumulam valorização de 46% nos últimos 12 meses, a diferença entre os dois tipos caiu para US$ 60.
Caixeta estima que cerca de 30 produtores tenham abandonado abandonaram o cultivo de orgânico nos últimos três anos - mas sobretudo nos últimos meses - para se concentrarem no cultivo convencional. 'Procuramos conversar com esses produtores para que eles possam repensar e voltar a cultivar orgânico', afirma.
De acordo com ele, quem não incorpora a filosofia do cultivo de café orgânico acaba migrando para as lavouras convencionais. 'Orgânico para mim é uma filosofia de vida', diz. O produtor, ex-presidente da Acob e atual conselheiro da entidade, cultiva café orgânico em uma área de 300 hectares, com uma produção em torno de 6 mil sacas. Com fazenda em Machado, no Sul de Minas, Caixeta diz que sua família é produtora de café há mais de 140 anos.
No país, há cerca de 200 produtores de café orgânico, segundo a Acob. A produção para a safra 2005/06 está estimada em 180 mil sacas [sem contabilizar grãos com defeito], o que representa 0,5% da produção nacional, prevista em 32,5 milhões de sacas. Os volumes de produção de orgânico são considerados pequenos, mas em 1998, quando a Acob foi fundada, a fatia era de 0,1%, segundo Caixeta. A primeira exportação de orgânico foi realizada em 1992 - 250 sacas. Atualmente, mais de 80% da produção de orgânico é exportada.
Cássio Franco Moreira, presidente da Acob, diz que os preços do café orgânico são mais estáveis se comparados com aos dos grãos convencionais, que oscilam muito mais nas bolsas. Moreira faz parte de um seleto grupo de exportadores de café orgânico, cuja demanda é crescente principalmente no Japão, Europa e Estados Unidos. Sua produção, em uma área de 100 hectares - dos quais 20 ainda em formação -, atingiu 1,8 mil sacas na safra 2004/05. Deste total, 80 sacas são industrializadas e exportadas como café solúvel para o Japão.
A maior empresa compradora do café orgânico no país é a torrefadora mineira Café Bom Dia, informou a Acob. A companhia exporta seu café torrado e moído para os EUA, onde já possuiu uma rede de distribuição em cadeias de varejo americanas.
Com tradição na produção de cafés especiais, a Ipanema Coffees, de Alfenas, sul de Minas, está realizando estudos para adaptar uma de suas três fazendas de café para o cultivo de orgânico. 'Uma de nossas fazendas [de Conceição do Rio Verde, de Minas] tem uma topografia e solo adequados para orgânico', afirma Washington Luiz Rodrigues, diretor superintendente da Ipanema Coffees.
O grupo cultiva café em uma área de 3,8 mil hectares dos 5,5 mil hectares que as fazendas do grupo ocupam. Com certificados reconhecidos internacionalmente, como Rain Forest, EuroGap e Utz Kapeh, o grupo é o único fornecedor do Brasil de café em grãos para a rede de cafeterias Starbucks. Nesta safra, a produção do grupo está estimada em 120 mil sacas de café.
|
|
|
|
|
|
|