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Sustentabilidade: garantia de um bom negócio
SUSTENTABILIDADE - quinta-feira, 28 de julho de 2005 17:41 por Send Yahoo Messanger message to author News Cafeicultura
Mercado Floresta - Há uma semana, a Bovespa anunciou a criação de um Índice de Sustentabilidade Empresarial, que passa a avaliar elementos sociais e ambientais das empresas candidatas a compor a primeira carteira do índice. Do lado dos empreendimentos, a busca por sustentabilidade remonta às iniciativas surgidas ainda na década de 70. Negócios pioneiros em ecoeficiência, como os da norte-americana 3M - que incorporou práticas de redução de desperdício em seu processo produtivo deixando de emitir cerca de 850 mil toneladas de poluentes em três décadas com uma economia de US$ 894 milhões - mostram que se adiantar a procedimentos críticos para a conquista da sustentabilidade empresarial pode ser uma opção acertada. A tendência de aceitação dessas práticas pelo mercado é hoje uma realidade também nos pontos de comercialização de produtos de base sustentável, cujo crescimento nas vendas chega a ser de 98% ao ano - caso da loja paulistana Mundaréu, que vende itens de origem socioambiental.

Ao incorporar elementos de sustentabilidade ao mundo dos negócios, essas empresas acabam por ensinar o quanto é possível se adequar a novos modelos de redução de desperdício, substituição de materiais, transformação de resíduos e ações que dêem durabilidade ao empreendimento. A procura pela sustentabilidade pode ser resumida como uma estratégia ampla de gerenciamento de riscos, onde um investimento maior no início pode oferecer uma estrutura mais sólida para o futuro.

A adequação do negócio a práticas sustentáveis coloca-se, assim, como o ponto de partida para a conquista de vantagens competitivas em relação a empreendimentos tradicionais. Embora um esforço desse tipo possa demandar tempo e mudanças culturais na equipe de uma empresa, traz a longo prazo um melhor acesso a mercados com algum tipo de filtro, maior valor agregado aos produtos, fortalecimento da marca e das relações com a comunidade, maior produtividade devido ao grau de aproveitamento das matérias-primas, economia de insumos e, finalmente, uma melhor relação com financiadores e eficácia na gestão interna. Para grandes empresas e multinacionais, por exemplo, a publicação de balanços sobre seu desempenho ambiental já é uma questão de sobrevivência, na medida em que passam a legitimar suas ações perante o mercado e a própria sociedade.

Gestão ambiental

Recentemente, um estudo internacional produzido pela SustainAbility - consultoria britânica especializada em desenvolvimento sustentável - revelou o quanto a gestão ambiental pode ser uma ferramenta poderosa para produtos melhores, mais inovadores e para o acesso a novos mercados. A pesquisa ouviu 240 empreendimentos de diversos setores, espalhados por 60 países em desenvolvimento, que deixaram claras as vantagens obtidas para cada procedimento sustentável introduzido nessas empresas. Entre elas, houve destaque para aumento da receita e valorização da reputação, melhoria do desempenho da equipe, apoio à economia local, criação de novas oportunidades de negócios, maior diálogo com os atores envolvidos no negócio, lançamento de serviços ambientais e melhoria da governança empresarial.

Ao agregar valores sociais e ambientais ao negócio, agentes do setor privado fortalecem também a área de políticas públicas, criando empregos mais estáveis, diminuindo gastos com saúde e promovendo a reparação de danos ambientais ou fiscalização, ao facilitar o abastecimento de bens essenciais e escassos como a água.

Tal tendência é confirmada pela própria vulnerabilidade dos negócios baseados em recursos não renováveis, como o petróleo. Prova disso é a crise da Shell no começo de 2004, com perda de 7% na bolsa, devida justamente ao fato de ter superestimado suas reservas naturais. Ao mesmo tempo, um leque de oportunidades é aberto para quem investe em tecnologias ambientalmente amigáveis, como a japonesa Sanyo que, em 2003, começou a produzir Cds de biomassa renovável no lugar do policarbonato, ou da empresa brasileira Infibra, que também em 2003, iniciou a produção de telhas com tecnologia desenvolvida pela Universidade de São Paulo, a partir de resíduos de bananeira e casca de coco que substituem o fibrocimento com amianto.

Negócios sustentáveis

Mas o que significa, então, transformar seu empreendimento num negócio sustentável? A pergunta é respondida ao longo das 176 páginas do Manual de Negócios Sustentáveis - Como Aliar Rentabilidade e Meio Ambiente, publicado em 2004 pela Amigos da Terra - Amazônia Brasileira em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-SP. Já no prefácio, o diretor da ONG, Roberto Smeraldi, contextualiza a função da publicação, que 'pretende derrubar mitos a respeito da sustentabilidade e estimular a adoção de uma abordagem pragmática ao mundo dos negócios, que privilegie a durabilidade do empreendimento e sua capacidade de se adaptar à mudança rápida da sociedade atual, como principal indicador de seu sucesso. Como a capacidade de prever, conter e aproveitar o risco é um diferencial que caracteriza o empreendedor bem sucedido, sustentabilidade tem sim tudo a ver com bons negócios'.

Além da conceituação da palavra 'sustentável' apresentada na década de 80 pela Comissão Brundtland - como sendo o tipo de desenvolvimento que atende às necessidades das presentes gerações sem comprometer a capacidade das futuras - é possível identificar indicadores concretos que definem um empreendimento sustentável: deve manter perspectiva de rentabilidade econômica a médio e longo prazo, operar sem passivos que gerem prejuízos inesperados, minimizar sua dependência de recursos esgotáveis e seus impactos sobre a paisagem, cultivar a eficiência, ter transparência na gestão, relacionar-se com demandas de ordem global e local, entre outros aspectos apresentados pelo livro.

Bússola

As dicas para se chegar a esse patamar são oferecidas logo no capítulo inicial, que orienta a empresa a construir um plano de negócio de empreendimentos sustentáveis. Segundo a autora, a jornalista Regina Scharf, o plano funciona como uma bússola que permite analisar a viabilidade de um empreendimento com pretensão de se tornar sustentável, além de ser uma ferramenta de auto-conhecimento e um cartão de visitas para potenciais investidores. Deve ser claro e direto, com apresentação da missão, que envolve os valores da empresa, assim como a visão, ou aspirações e ambições do empreendimento, sem deixar de ser realista. Indicadores e critérios também precisam demonstrar o potencial de sustentabilidade em todas as dimensões do negócio, do produto ao atendimento, da tecnologia até o envolvimento das comunidades do entorno. O roteiro para construção dessa ferramenta, portanto, passa pela descrição dos produtos e serviços oferecidos, fontes e tipos de matéria-prima, capacidade de produção, mão-de-obra necessária e, especialmente, a previsão da equipe gerencial, com responsabilidades funcionais, habilidades necessárias e o processo de tomada de decisões.

A autora lembra ainda que negócios sustentáveis costumam apresentar produtos de nicho, o qual precisa ser qualificado e quantificado no presente e no futuro. Já o fator 'tempo' é crítico nesse tipo de negócio, que foge de uma abordagem imediatista, devendo contar com um cronograma de implementação confiável e exeqüível. Por fim, a realização do plano ensina que abraçar a sustentabilidade depende da incorporação de preocupações ambientais e sociais no processo decisório, pois segundo a autora, 'não é porque se trabalha com agricultura orgânica que se atingiu a sustentabilidade'.

Biodiversidade como oportunidade

Em outro capítulo, a publicação destaca as oportunidades oferecidas pela biodiversidade nacional, onde os infindáveis produtos florestais genuinamente brasileiros podem ser o alvo de empreendimentos responsáveis que contribuem para a manutenção dos ambientes naturais. E com vistas a bons negócios. A extração de madeira que respeita o meio ambiente, por exemplo, não é necessariamente mais cara que os métodos tradicionais e pode reduzir em mais de 50% os volumes desperdiçados. Nesse sentido, o leitor ganha ainda uma seção com dez dicas para empreender na Amazônia, entre elas a necessidade de ouvir quem já produz no local ao invés de incorporar produtos de outras regiões, valorizar as formas de cooperativismo, diversificar ao invés de concentrar esforços num único produto, já que a diversidade amazônica pode ser ao mesmo tempo um fator de oportunidade e vulnerabilidade.

Do lado do consumo, revela-se a importância do poder de compra na atualidade pelo público mais consciente. Pesquisa do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente com cerca de mil pessoas em 2001 mostrou, por exemplo, que para 69% dos entrevistados consumir de forma consciente faz parte de seus valores e para 52% 'ter mais do que possui não o tornaria uma pessoa mais feliz'. O capítulo discute, assim, o compromisso dos negócios sustentáveis com o consumidor, cujas expectativas impedem cada vez mais que se encubram práticas questionáveis no mundo dos negócios. Selos e certificados como garantia de padrão de desempenho são apresentados ao leitor, que entende como a guerra dos preços já perde lugar para diferenciadores de valor na busca pelos consumidores.

Serviço: Manual de Negócios Sustentáveis - Como Aliar Rentabilidade e Meio Ambiente Regina Scharf com colaboração de Mário Monzoni ; Amigos da Terra - Amazônia Brasileira e Centro de Estudos em Sustentabilidade, Fundação Getúlio Vargas.







 
Café diferenciado, social e ambientalmente correto onde a Criatividade substitui a força bruta
SUSTENTABILIDADE - quinta-feira, 28 de julho de 2005 12:33 por Send Yahoo Messanger message to author News Cafeicultura
Gazeta Mercantil São Paulo, 28 de Julho de 2005 - O agricultor brasileiro, que em tempos remotos dependia da força física para sobreviver aos desafios da atividade, hoje recorre à imaginação e à criatividade. É o que ocorre com os cafeicultores de Altinópolis, na região Mogiana, interior de São Paulo. O produtor João Abrão Filho, que cultiva lavoura de 70 hectares, não se conforma em vender a saca de café a US$ 100, enquanto torrefadores estrangeiros faturam US$ 6.700 por saca ao servir a bebida na xícara.

Na tentativa de criar um atalho para obter ao menos parte dessa expressiva diferença de renda, Abrão uniu-se aos produtores da região para produzir um café diferenciado, social e ambientalmente correto e com a marca da chamada sustentabilidade econômica. Com esses símbolos de qualidade e a ajuda do Café Tiradentes, o produto de Altinópolis chegou à Gallerie Lafayette, em Paris.

Abrão, que presidente do Sindicato Rural de Altinópolis e a Comissão Técnica da Cafeicultura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo [Faesp] diz que procura agora uma empresa certificadora para que possa exibir nas embalagens a procedência e as suas características do produto.

Com essa estratégia, os produtores de Altinópolis esperam vencer a concorrência das grandes torrefadoras que importam café cru e agregam elevado valor ao produto, por meio da preparação de blends. 'Temos de recorrer à criatividade, já que sobreviver com a agricultura não é tarefa fácil', declara. Além de cafeicultor, Abrão mantém uma loja de artigos de cama, mesa e banho e ainda exerce advocacia, para completar a renda. 'Com o café depreciado, o produtor rural sempre tem de buscar alternativas de renda na cidade'.

[Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12][Isabel Dias de Aguiar]






 
Em Altinópolis, o social e o ambiental andam juntos
SUSTENTABILIDADE - quarta-feira, 27 de julho de 2005 15:54 por Send Yahoo Messanger message to author News Cafeicultura
O Estado de São Paulo BOM EXEMPLO - Meio ambiente preservado, regras trabalhistas respeitadas e programas sociais patrocinados pelo Sindicato Rural, em parceria com o Senar e a prefeitura, além de um café de qualidade, levaram a indústria torrefadora Nhá Benta, de São Bernardo, a buscar em Altinópolis [SP] seu primeiro café de origem para exportação. Numa parceria com a Cooperativa dos Cafeicultores de Altinópolis, a Nhá Benta já levou o café da cidade paulista a várias feiras internacionais. O maior trunfo foi expor o produto nas Galerias Lafayette, na França, conta o diretor de Exportações da Nhá Benta, Luiz F. Clerici.

Entre os cafeicultores de Altinópolis, há muito ânimo com a parceria. Em várias propriedades, como a de Éder Palma Crivelenti, as lavouras dividem espaço com mata nativa, que tem servido até para melhorar o controle natural de pragas. 'Onde há mata próxima, o bicho mineiro nem ataca', diz Crivelenti. Contando os safristas, que são 70% do total, sua propriedade tem 110 funcionários, todos registrados. Crivelenti estuda, agora, melhorar a infra-estrutura, já dentro dos princípios de sustentabilidade. 'Vou construir sanitários, vestiários e refeitório, e dar mais treinamento à mão-de-obra', diz.

A palavra sustentabilidade nem estava em moda ainda quando o produtor Célio Carril cedeu um terreno para a construção de uma escola de ensino básico, em parceria com a prefeitura, há 25 anos. 'É um compromisso meu, não tem nada a ver com interesse econômico', diz ele, que se orgulha também de ter todos os funcionários registrados, e reserva de mata.

Do agrônomo até o pessoal da secagem, Carril faz questão de manter todos atualizados, com cursos de tratoristas, de aplicação de agrotóxicos e de secagem, entre outros. O curso de secagem de café, feito por vários funcionários na safra passada, resultou num bom retorno: 'Não tivemos nenhuma perda. Colhemos 13.500 sacas limpas', diz.







 
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