FABIANA FUTEMA da Folha Online - Os funcionários da Schincariol de Itu [103 km de SP] estão preocupados com o futuro da fábrica da cidade, que abriga a sede do grupo cervejeiro. Donos, diretores e advogados da empresa foram presos ontem durante uma operação conjunta da Receita Federal e Polícia Federal contra sonegação de impostos no setor de bebidas.
Além da sonegação fiscal, a família Schincariol é suspeita de estar envolvida nos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção de funcionários públicos.
'Os funcionários temem pelo futuro da empresa. Eles acham que a empresa pode vir a ser fechada', disse Manoel Martins, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Bebidas e Alimentos de Campinas e Região.
Apesar dos temores, segundo ele, a fábrica continua em funcionamento. 'Quem está tocando a empresa são os funcionários e encarregados, pois todos os donos e diretores foram presos.'
A Schincariol não se manifestou hoje sobre a operação policial. Ontem, o grupo divulgou nota negando as acusações e lamentando a forma como 'foi conduzida a ação, pautada por um comportamento violento e sensacionalista contra cidadãos de bem, que não ofereceram qualquer resistência, com residência fixa e conhecida, dirigentes de uma empresa que contribui reconhecidamente para o desenvolvimento do país'.
Segundo a Receita Federal, os donos da Schincariol são suspeitos de participar de um esquema de sonegação fiscal que teria desviado R$ 1 bilhão dos cofres públicos nos últimos cinco anos. O IRPJ, IPI, ICMS, PIS e Cofins seriam os principais tributos sonegados pela empresa.
Entre os presos estão cinco membros da família Schincariol: os irmãos Adriano [diretor-superintendente] e Alexandre [diretor de RH], além de Gilberto [vice-presidente] e seus filhos Gilberto Júnior e José Augusto --primos de Adriano e Alexandre Schincariol.
Também foram presos três diretores da empresa: José Rosan Domingos Francischineli [financeiro], José de Assis Carvalho [administrativo] e outro identificado pelo nome de Carlos Rafael [diretor da fábrica do Rio de Janeiro].
Investigações
As investigações indicaram que o grupo Schincariol montou com alguns de seus distribuidores terceirizados um esquema de sonegação fiscal de tributos estaduais e federais, utilizando o subfaturamento na venda de seus produtos com o recebimento 'por fora' da diferença entre o real valor de venda e o valor declarado nas notas fiscais.
Além disso, foram identificadas operações de exportação fictícia, intermediadas por empresas situadas em Foz do Iguaçu [PR] e importação com falsa declaração de conteúdo e classificação incorreta de mercadorias.
As investigações sugerem ainda que parte da matéria-prima usada nas fábricas é adquirida sem a devida documentação fiscal, envolvendo operações simuladas com empresas inexistentes ou de capacidade financeira insignificante, localizadas em Estados do Nordeste, como se fossem estas as adquirentes.
As importações de matéria-prima e de equipamentos para as fábricas são intermediadas por empresas do grupo sediadas na Ilha da Madeira [Portugal].
Especial
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