Os dez melhores lotes de café brasileiro do ano são do estado; pela primeira vez, o vencedor vem da Zona da Mata - Os nomes foram anunciados nesta sexta-feira [12] - Minas Gerais confirmou a posição de liderança entre os melhores produtores de café do País conquistando os dez primeiros lugares do Prêmio Brasil de Qualidade do Café para 'Espresso', oferecido anualmente pela torrefadora italiana illycaffè - O vencedor é João Vitor de Assis, da cidade de Araponga, localizada na Zona da Mata mineira, a 280 km de Belo Horizonte - A conquista do primeiro prêmio por um produtor da região é inédita na história do concurso -Mais do que isso: dos dez primeiros colocados, seis são da Zona da Mata – repetindo o feito do ano passado, quando, apesar disso, o vencedor ainda veio do cerrado - A região já surpreendera no 11º Prêmio, ao obter a segunda colocação.
Além do vencedor, outros três produtores classificados entre os dez primeiros são do município de Araponga. Os outros premiados da Zona da Mata vieram de Canaã e Olímpio Noronha. O cerrado teve três representantes na lista e o sul de Minas, um.
O anúncio dos vencedores da 13ª edição do concurso foi feito nesta sexta-feira, 12 de março, em festa no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo.
Os 10 ganhadores do 13º Prêmio:
1º - João Vítor de Assis - Araponga – MG
2º - Agropecuária Londrina Ltda - Monte Carmelo – MG
3º - Régis Pinheiro Campos - Presidente Olegário – MG
4º - Custódio David de Souza - Canaã – MG
5º - Raimundo Martins - Araponga – MG
6º - Raimundo Dimas Santana - Araponga – MG
7º - Vinícius José Carneiro Pereira - Olímpio Noronha – MG
8º - Antônio Márcio Pereira de Castro - Carmo de Minas - MG
9º - Paulo Augusto Caran Nascif - Araponga – MG
10º - Clóvis Carvalho - Campos Altos – MG
As provas para definição dos 10 primeiros classificados tiveram a participação de especialistas brasileiros e italianos, além do presidente da illycaffè, Ernesto Illy.
Recorde de inscrições
As inscrições para o 13º Prêmio Brasil de Qualidade do Café para 'Espresso' bateram um recorde: 914 amostras foram inscritas, superando em 12,7% o total do ano passado. O 1º Prêmio, realizado em 1991, teve 263 amostras inscritas. O número de sacas – 165.563 – também ultrapassou as expectativas.
O número é especialmente relevante levando-se em consideração que só são aceitos no Prêmio lotes de 100 [mínimo] até 650 sacas da safra atual de café arábica; e que cada proprietário só pôde inscrever um único lote. Além disso, a safra neste ano foi bem menor do que no anterior, que chegara a 38 milhões de sacas.
Só são aceitas amostras de café de alta qualidade, enquadradas nos rigorosos padrões internacionais de qualidade adotados pela illycaffè; a seleção se dá por meio de testes com raios infravermelhos, equipamento de ultravioleta, mapadora e várias formas de classificação [quanto ao aspecto, à seca, à cor, ao tipo, ao teor de umidade, etc.]. As amostras têm de ser de cafés não-ligados, da espécie arábica, naturais, descascados e despolpados do tipo 3 para melhor, nas peneiras 16 e acima.
O prêmio total de US$ 101 mil foi dividido da seguinte maneira: US$ 30 mil para o primeiro colocado; US$ 20 mil para o vice-campeão; US$ 10 mil para o terceiro; US$ 5 mil para o quarto e US$ 3 mil para o quinto colocado. Os classificados da sexta à décima posição receberam US$ 1 mil, enquanto aqueles que alcançaram da 11ª à 50ª classificação ganharam US$ 700,00.
O Prêmio Brasil de Qualidade do Café para 'Espresso', instituído pela torrefadora illycaffè em 1991, foi a primeira iniciativa de grande envergadura para estimular uma mudança de mentalidade na cafeicultura nacional em prol da qualidade. Chega ao 13º ano consolidado e com seus objetivos atingidos, tendo, inclusive, ajudado a desenvolver regiões produtoras no País, como as do sul de Minas, Cerrado e Zona da Mata, a região de Pirajú e Mogiana em São Paulo, o sul da Bahia, Espírito Santo e outros estados.