Folha de Londrina - A Cooperativa Agrícola de Cotia foi fundada em 1927, em Cotia [SP], com o nome de Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Ltda dos Produtores de Batata S/A por 83 bataticultores. Somente em 1933 passou a ser Cooperativa Agrícola de Cotia e mudou a sede para São Paulo.
Com o passar dos anos, a Cotia foi crescendo e se espalhando para os estados de São Paulo, Paraná. Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pará, Fortaleza, Pernambuco, Goiás, Rondônia.
Nesses locais, os armazéns da cooperativa atuavam em vários setores agrícolas: soja, café, batata, algodão, trigo, milho, arroz, alho, rami, amendoim, frutas, ovos, verduras, legumes, suínos, aves. Em 1988, a cooperativa tinha 16.309 cooperados e 10.796 funcionários. [V.B.]
Ex-funcionários tentam receber ação trabalhista
Karina Yamada
Direitos trabalhistas de ex-funcionários da Cotia em Londrina estão estimados em R$ 25 milhões
Ex-funcionários da antiga Cooperativa Agrícola Cotia, uma das maiores do Brasil que foi desativada há 11 anos, tentam há cinco anos receber uma ação trabalhista que já tramitou em todas as instâncias e tem decisão favorável. No Paraná são mais de mil ex-funcionários - sendo que cerca de 370 estão na região de Londrina. Com a auto-falência decretada em 1994, a Cotia ainda mantém um grande patrimônio espalhado em vários estados do Brasil. Boa parte está arrendada e outra se deteriorando.
Os direitos trabalhistas de um grupo de ex-funcionários de Londrina, que procurou a Folha, estão estimados em R$ 25 milhões. De acordo com o grupo, em 1999 os bancos destituíram os liquidantes da Cotia [três cooperados] e a Justiça indicou o advogado Rolff Milani de Carvalho, de São Paulo, como síndico da massa falida.
Segundo os ex-funcionários, a cooperativa tem dinheiro mas não paga alegando que tem dívidas pendentes com os bancos credores. ''Em cinco anos, não houve publicação em edital de chamamento dos credores, o que deveria ser feito pelo síndico. Todas as nossas tentativas para receber o dinheiro, foram em vão. Não tivemos nenhuma resposta positiva. Tudo que a gente propõe não tem respostas'', conta Jânio Yamaguto, um dos ex-funcionários.
Outro ex-funcionário, Nelson Cirino de Andrade, informa que o chamamento dos credores deve partir do síndico para que a Justiça analise o pedido e dê prazo para que todos os credores se habilitem ao crédito. ''Se o síndico não faz isso, o processo fica emperrado'', comentou. De acordo com Andrade, boa parte do patrimônio da Cotia no Paraná está arrendada. Porém, nas regiões onde os imóveis não foram alugados como em Guaíra, por exemplo, o prédio está todo deteriorado. ''Com a deterioração, estamos perdendo a capacidade de receber. Nas nossas propostas, já pedimos imóveis como forma de pagamento, mas não tivemos respostas'', contou Andrade. Só no Paraná, a cooperativa mantinha ativa mais de 20 unidades de armazenamento e mais de 30 escritórios regionais.
Quando fechou as portas em 1994, muitos ex-funcionários não tiveram tempo para se aposentar embora estivessem com a idade avançada. Hoje, diz Andrade, não conseguimos manter o padrão de recolhimento, tendo que aceitar o sub-emprego para não passar necessidade. Marinês Beraldelli da Silva teve o marido trabalhando durante anos na cooperativa. Ele faleceu há dois meses e meio e ela tenta agora rever o que era de direito dele. ''Passamos por muitos problemas após o fechamento da cooperativa e ele morreu esperando receber os recursos''.
Vera Barão
Reportagem Local